Estações
- Vivi Silva

- há 7 horas
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Próxima estação, Mooca, anunciava o maquinista. Ainda faltavam duas estações para chegar à Luz. Tive sorte. O trem estava mais vazio, não sei se era o dia ensolarado, mas as pessoas pareciam mais felizes. Atípico, pois estava acostumada com os olhares perdidos, como se estivessem em transe e somente despertassem ao ouvir o nome de suas estações.
Normalmente embarcava naquele trem lotado, a prova do descaso público, comigo, com as pessoas que ali, como eu, sobreviviam a cada estação, naquele exaustivo meio de transporte no qual questionamos a lei da física, pois, dois corpos ocupavam o mesmo lugar ao mesmo tempo.
Naquele dia, algo diferente aconteceu. Nossos olhares se cruzaram, se fixaram. Permanecemos nos olhando, conhecendo, admirando, nos encantando, sonhando, amando... Por quase cinco anos, assim ficamos, alternando momentos de alegria com tristeza, esperança e desilusão.
Durante este tempo, admiramos a paisagem que, assim como as nossas vidas, se alternava: dias de sol, outros de chuva, calor e frio.
Era final da primavera, estação das flores, e naquela estação você desembarcou, nossos olhares se perderam. Já não sei ao certo se fui eu quem te perdi, ou você que se perdeu de mim. E mais uma vez, o maquinista anuncia: próxima estação, Mooca.
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